Governo reduz proposta e salário mínimo não terá aumento real em 2021

A queda da inflação fez o governo reduzir o reajuste do salário mínimo para o próximo ano. Segundo o projeto do Orçamento de 2021, enviado hoje (31) ao Congresso, o mínimo subirá para R$ 1.067 em 2021.

O projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2021, enviado em abril, fixava o salário mínimo em R$ 1.075 para o próximo ano. O valor, no entanto, pode ser revisto na proposta de Orçamento da União dependendo da evolução dos parâmetros econômicos.

Segundo o Ministério da Economia, a queda da inflação decorrente da retração da atividade econômica impactou o reajuste do mínimo. Em abril, a pasta estimava que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) encerraria 2020 em 3,19%. No projeto do Orçamento, a estimativa foi revisada para 2,09%.

A regra de reajuste do salário mínimo que estabelecia a correção do INPC do ano anterior mais a variação do Produto Interno Bruto (PIB, soma dos bens e serviços produzidos) de dois anos antes perdeu a validade em 2019. O salário mínimo agora é corrigido apenas pelo INPC, considerando o princípio da Constituição de preservação do poder de compra do mínimo.

PIB

O projeto do Orçamento também reduziu as estimativas de crescimento econômico para o próximo ano na comparação com os parâmetros da LDO. A projeção de crescimento do PIB passou de 3,3% para 3,2% em 2021. A previsão para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), usado como índice oficial de inflação, caiu de 3,65% para 3,24%.

Outros parâmetros foram revisados. Por causa da queda da Selic (juros básicos da economia), a proposta do Orçamento prevê que a taxa encerrará 2021 em 2,13% ao ano, contra projeção de 4,33% ao ano que constava na LDO. O dólar médio chegará a R$ 5,11 em 2021, contra estimativa de R$ 4,29 da LDO.

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Presidentes do Senado e do STF discutem volta do diálogo entre Poderes

O presidente do Senado Federal, Rodrigo Pacheco, se reuniu, no início da tarde desta quarta-feira (18), com o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux. Na pauta do encontro, a relação entre os Poderes, sobretudo entre o Executivo e o Judiciário.

Em coletiva após o encontro, Rodrigo Pacheco disse que sugeriu que a ideia de uma reunião entre os presidentes da República, da Câmara, do Senado e do Supremo fosse retomada. “Precisamos restabelecer esse diálogo com o Executivo”, disse.

Segundo o presidente do Senado, radicalismos e extremismos são muito ruins para o Brasil e podem ser capazes de derrubar a democracia. De acordo com Pacheco, o presidente do STF se colocou propenso a restabelecer o diálogo e novas reuniões devem ser marcadas.  “Tivemos uma conversa importante, necessária e que possa ser o reinício de uma relação positiva entre os Poderes para que possamos ter uma pacificação nacional”.

Questionado sobre a data em que seria realizado tal encontro, o presidente do Senado disse que espera um desdobramento para os próximos dias.

Pacheco relatou que nenhum pedido de impeachment foi tratado durante a reunião. Pacheco disse que esses pedidos não devem ser banalizados. “[O impeachment] é um instituto grave, excepcional e tem um rol taxativo. É preciso ter um filtro muito severo”, disse. “Sou contrário a usar o impeachment como solução de um problema”.

No último dia 14, o presidente Jair Bolsonaro disse que levaria ao Senado o pedido de instauração de processo de impeachment contra os ministros Alexandre de Moraes e Luís Roberto Barroso, do STF. Já o STF abriu inquérito para investigar ataques à legitimidade das eleições.

Câmara conclui votação da PEC da reforma eleitoral em segundo turno

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O dia seguinte à nevasca que atingiu Gramado, Canela e outros municípios da serra gaúcha amanheceu com telhados, carros, calçadas e vegetação ainda cobertos de branco, só começando a desaparecer no final da manhã desta quinta-feira (29).

A paisagem branca de inverno e a intensidade da neve fizeram com que moradores de outras cidades gaúchas arriscassem viagens bate e volta entre a gelada noite de quarta e a quinta de manhã para tentar a chance de conhecer a neve pela primeira vez.about:blankhttps://acdn.adnxs.com/dmp/async_usersync.html

A comerciante Adria Beck, 38, chegou a Gramado por volta das 3h desta quinta, com o marido, a filha e o genro, vindos de Esteio (cerca de 80 quilômetros), na região metropolitana de Porto Alegre, para tentar ver a neve ao vivo. Por volta das 8h30, eles já estavam voltando para casa porque precisavam trabalhar.

“Ficamos esperando a neve, no frio, mas ela não veio”, contou. “Somos frustrados porque tentamos em Urubici [SC] também e não deu. Mas a gente vai continuar tentando. A saga pela neve”, brincou.
Visitantes de Dois Irmãos e Viamão, as duas na região metropolitana da capital, também tentaram a sorte, mas acabaram se contentando em brincar com o gelo que ficou acumulado em cima dos carros e em tirar fotos em locais onde ele ainda aparecia pela manhã.

Para fotos ao lado dos termômetros de Gramado registrando temperatura negativa, uma fila de espera chegou a ser formada pelos turistas.

Um canteiro na via que liga Gramado à vizinha Canela, onde o gelo ainda era visível, também ficou disputado como cenário de fotos em família e selfies.

Deisi Zanon, 40, fisioterapeuta, fez um registro no local com o marido e as filhas. Ela é gaúcha, mas vive com a família em Barro do Bugres (MT), onde os termômetros costumam marcar 40°C, realidade muito longe da manhã gelada da serra gaúcha, que voltou a ter temperaturas abaixo de zero.

“Estamos adorando. Quando começou a neve, tínhamos acabado de chegar ao hotel. A gente esperou engrossar e veio aquela nevasca forte”, disse. “Todo mundo no final da noite estava escrevendo nos carros.”

A família já tinha a viagem planejada, quando a previsão ainda não era de frio tão intenso, mas foi surpreendida com a precipitação desta quarta. Eles já haviam conhecido a neve no Chile, mas dizem que em Gramado a sensação é de ainda mais frio, devido ao vento.

A mesma percepção teve o casal Suelen Bozzato, 39, e Jefferson Galvão, 43, que conhece bem o frio –os dois, advogados, são de Curitiba e estavam a trabalho em Porto Alegre, quando resolveram espichar uma visita à serra.

“A gente acordou com sensação de -5°C. É um frio mais úmido, mais gelado que o de Curitiba, aqui tem mais vento, então, a sensação é mais gélida”, afirmou ela.

O casal estava em um café colonial quando percebeu que outras pessoas filmavam algo. Era a neve, que chegou às 16h desta quarta e se tornou intensa três horas depois, segundo o casal.

“Algumas pessoas devem ter feito [bonecos de neve], dependendo do lugar onde estavam. A gente conseguiu reunir o gelo e fazer uma bola bem grande, do tamanho de uma bola de vôlei”, disse Galvão.

Rogério Sanches, 42, funcionário público de Campinas, tentou reunir a neve que acumulava em cima de um dos carros na noite de quarta e até tentou ensaiar um boneco de neve em miniatura. Ele e a esposa, Lúcia Batista, 47, também funcionária pública, ainda brincaram de jogar bolas feitas com o gelo um no outro.

O casal tinha a viagem programada saindo de Campinas para conhecer Gramado há cerca de um mês e foi pego de surpresa pela neve.

“Foi emocionante, eu sempre tive vontade de ver a neve, mas nunca imaginei que fosse ver no Brasil e numa viagem assim, programada de férias”, disse Lúcia. “Nunca peguei frio assim, não. A gente já foi para Campos do Jordão, Monte Verde [MG], mas igual aqui não. A temperatura mais baixa tinha sido 4°C”, disse o marido.

Em frente aos hotéis de Gramado, os estacionamentos pareciam lotados na manhã desta quinta-feira.

Por volta das 11h, algumas vias tinham tráfego intenso de veículos e o número de pessoas caminhando pela avenida Borges de Medeiros, a principal da cidade, onde ficam o palácio sede do Festival de Cinema de Gramado e a rua coberta, também era significativo.

Na semana passada, o governo do Rio Grande do Sul confirmou os primeiros casos da variante delta do novo coronavírus no estado, os dois moradores de Gramado. Hotéis estão autorizados a funcionar com capacidade de até 75% no município.

No caso de bares, restaurantes e similares, a ocupação permitida é de 70%, com distanciamento entre as mesas e outras medidas sanitárias. Recentemente, o horário de funcionamento foi ampliado, com a última entrada autorizada até 0h e saída à 1h.

“A gente vem numa crescente de dois meses já do movimento aumentando”, afirmou Daniel Vidal da Silva, subgerente de um restaurante na avenida principal.

Ele conta que listas de espera são comuns nos estabelecimentos da cidade, e que onde trabalha eles pedem que clientes coloquem a máscara quando levantam de suas mesas. “Às vezes acontece [de alguém reclamar], o pessoal se revolta e diz que não vai usar, mas como é regra a gente meio que força.”

Em geral, porém, os visitantes com quem a reportagem da Folha conversou nesta quinta pareciam tranquilos com a pandemia do novo coronavírus. Nas ruas, era frequente ver pessoas sem máscara.

Segundo Estael Sias, meteorologista da MetSul, nesta quinta já não há mais possibilidade de neve em território gaúcho porque o tempo está se formando e a neve, como uma precipitação, não ocorre sem nuvens.

“Amanhã [sexta] será o dia de menores marcas de temperatura e possivelmente com algum dado histórico no centro e Sul do país”, disse. “Porto Alegre teve hoje 3ºC, a menor do ano.”

Informações Banda B

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via redação Busão